julho 26, 2026

Um capítulo sobre a partida de Sininho

Faz apenas três dias que ela se foi, mas senti que necessitava escrever sobre isso, sobre ela aqui, pois escrever será uma das minhas tentativas de fazer a dor e a saudade diminuir, uma saudade que sei que nunca passará, pois Sininho partiu para o céu dos gatinhos.

Aconteceu tudo muito rápido, os dias voaram sem que eu percebesse ou tivesse mais tempo de me despedir dela, um dia ela estava bem, sendo a gatinha tranquila que ela é, adormecida em seus cantinhos favoritos, e eventualmente acordando e vindo me encontrar, me cutucando com sua patinha, pedindo petisco. No outro, ela não estava nada bem, não sendo a Sininho que costumava ser.

A saúde dela sempre foi frágil desde que ela nasceu, ela mal conseguiu crescer, mal completou dois anos de vida, e no fundo, sempre morava dentro de mim essa preocupação sobre a saúde dela, mas por algum motivo, pensei que ela viveria para sempre, mesmo sabendo que nossos amiguinhos de quatro patas não vivem pela eternidade.

Eu me via nela, em seu jeitinho quietinho e solitário, porém, carinhosa sempre, ela não miava muito, não como Branco e Suki gostam de miar, ela miava apenas quando queria, quando achasse que fosse necessário. Ela se apegou mais a mim, assim como me apeguei mais a ela, que não perdia uma chance de me fazer companhia.

Vê-la indo aos poucos, sem poder fazer nada, pois seu destino fora traçado há tempos, foi uma das coisas mais difíceis da minha vida, disse em seus últimos suspiros o quanto a amava, o quando ela faria falta, e que ela não estava sozinha, eu estava e estarei bem ali, sempre ao lado dela.

Obrigada Sininho, por ser a gatinha mais fofinha e carinhosa de todas, mais brincalhona, mais adorável e maravilhosa. Você era única, e para sempre ocupará um espaço imenso em meu coração.
Adeus, espero um dia vê-la novamente.

junho 02, 2026

Quando tudo parecer difícil, tome uma xícara de chá

Os dias de outono tem carregado com eles um frio muito aconchegante e manhãs ensolaradas cor de laranja, e eu não poderia pedir por clima melhor na minha estação favorita, porém do jeito como as coisas tem se desenrolado em meus dias, eu admito que mal tenho tido tempo para observar o mundo lá fora, tenho na verdade estado muito reclusa, nos dias em que saio de casa sinto que a vida parece estar se movimentando novamente, e não ficado no estado de pausa e melancolia corriqueiros. 

Aconteceu de eu ter ficado bem doente de repente assim que maio iniciou, e estou assim até o momento, tenho sentido enxaquecas e enjoos todos os dias, sem descanso, foi difícil para mim ir ao médico devido a compromissos que tive um atrás do outro e agora me encontro tentando descobrir o que pode estar ocorrendo comigo, é angustiante que, apesar de estar me medicando, nada estar fazendo efeito, entretanto, estou tentando ser paciente, pois não tenho lá muito opção, e me revoltar nunca me adiantou de nada, rs. As coisas mais fáceis para eu comer tem sido pão e frutas, e tudo bem pra mim com isso, pois eu adoro os dois, ficar sem meu café puro estava sendo triste, então agora venho tomando com leite, pois eu simplesmente não acordo sem café, hahah.

Decidi compartilhar hoje apenas como tem estado as coisas do lado daqui, que apesar de tudo, tenho tentado me manter tranquila, tenho lido muito, assado muitos pães e bolos como de costume, e promovendo festas do chá com o Miguel mesmo, que é minha companhia favorita, óbvio.
Esta citação é de "Purgatório" do Dante Aliguieri, eu me vi favoritando esta leitura para a vida, desejando já ler novamente assim que terminei. É engraçado pois pensei que de A Divina Comédia, iria gostar mais de Paraíso, porém foi o que menos gostei, e na verdade, achei super entediante.
Isso foi em abril, quando meus sogros e minha cunhada vieram nos visitar, dentre todos os passeios incríveis que fizemos juntos, aproveitamos para visitar esse parque gigantesco que abriu em nossa cidade. Não tirei lá muitas fotos pois estava aproveitando com eles, mas fica aqui a lembrança dessa visita encantadora que fez meu abril não ser o mais cruel dos meses (piadinha interna de A Terra Devastada)

Passei a maior parte do tempo durante a estadia deles conversando e cozinhando com minha sogra e jogando The Sims 4 e papeando sobre animes com minha cunhada, que ainda é uma pré-adolescente muito fofa com apenas seus trezes anos, foi engraçado como me vi muito nela quando tinha a mesma idade, e perceber também como ela cresceu desde a última vez que a tinha visto. Fiquei triste quando eles se foram, desejava que ficassem por mais uns dias.

Bem, espero que junho seja mais gentil comigo (e com minha saúde!), e com você também, se as coisas por aí também estiverem sendo um pouquinho mais desafiadoras.

Nos vemos em breve!

maio 19, 2026

O Prefeito de Casterbridge

Quem acompanha este meu jardim faz um algum tempo, sabe que os livros do Thomas Hardy ocupam um espaço especial em meu coração, e nas estantes espalhadas pela minha casa. Apesar de os livros deste autor terem um toque nada sutil de drama, mortes repentinas e acontecimentos trágicos, eles ao mesmo tempo me trazem certo conforto, e são histórias bem construídas que perduram por anos. 

Ainda não me deparei com um final minimamente feliz se quer nos livros do Hardy, ou melhor, não havia me deparado até ler o livro dessa minha singela resenha despretensiosa, escrita em um momento de lapso de reflexão que fiquei, ao terminar a leitura de O Prefeito de Casterbridge. Mas já digo que o final é pouco feliz ou nem isso, dependendo do ponto de vista que você tem sobre a felicidade e a vida ao todo.
Não irei me prolongar contando o decorrer da história como em uma típica resenha, pois eu gostaria muito mais de me aprofundar no que aprendi com essa história, ou no que ela me deixou pensando.

Bem, temos aqui a história do Michael Henchard, um homem pobre e trabalhador rural, que no começo da narrativa está andando a esmo com a esposa Susan, e a bebê deles, Elizabeth-Jane (eu inclusive amei esse nome), quando então eles param em uma feira, e entram em uma tenda onde estava sendo servido mingau, aqui a senhora que preparava a grande bacia de mingau adicionaria rum ao prato se lhe fosse pedido, e foi o que o protagonista fez. 

E após algumas colheradas do mingau batizado, ele está bêbado o suficiente para começar a desprezar a sua vida e sua pobre esposa Susan, e neste momento ele passa um vexame por toda a embriaguez, começa uma brincadeira em que diz que venderia sua esposa e filha dependendo do lance dado, e resumidamente, a brincadeira vai longe demais e um marinheiro de fato as comprou pela pechincha de cinco guinéus. Esse momento impulsivo, e a brincadeira de mal gosto, deixaram consequências gigantescas para o resto da vida do Henchard.

Anos após esse infeliz acontecimento, arrependido, sóbrio e tentando se redimir com pouca coisa ou outra, pois apesar de tudo, o personagem ainda continua tendo um orgulho inabalável e um tendência auto destrutiva, Michael construiu uma boa reputação para si em Casterbridge, se tornando pouco tempo depois o prefeito da pequena cidade.
"Ele parecia sentir exatamente o que ela sentia sobre a vida e suas circunstâncias... que elas eram trágicas e não cômicas; que, embora alguém pudesse ficar alegre de vez em quando, os momentos de alegria eram interlúdios e não faziam parte do drama real."
Enfim, a partir disso, a história se desenrola com vários pontos de vista, e camadas recheadas de segredos a cada página virada (essa parte eu não esperava!), muitas coisas tomaram um rumo que eu não esperava, e outras eu já poderia imaginar por já ser acostumada com as tragédias do Hardy. Eu desgostava do Michael, e ao mesmo tempo, queria que ele tivesse sua redenção, mas no geral, ele é um pouco detestável, e seu caráter duvidosíssimo. 
"Ela não gostava de gentilezas em uma situação em que havia entrado apenas por causa da reputação de sua filha. Na realidade, ela gostava tão pouco delas que havia espaço para se perguntar por que havia tolerado a mentira e não tinha corajosamente deixado a jovem saber sua história. Mas a carne é fraca e a verdadeira explicação veio no devido tempo."
O livro traz em si várias lições e questionamentos relevantes sobre a felicidade, como por exemplo, o fato de você ter sofrido por grande parte de sua vida, faz você duvidar que os momentos de felicidade possam durar por muito tempo.
"E, ao ser obrigada a classificar-se entre os afortunados, não deixou de se maravilhar com a persistência do imprevisto (...)"
Esse trecho está no final, e ele menciona um sentimento da Elizabeth-Jane, que passou por desventuras grande parte de sua vida - que podemos acompanhar no decorrer da história -, até o momento, e que ela faz parte de um grupo de pessoas que poderiam ser classificadas como "privilegiadas", mas ela não sente-se dessa maneira. Ela desconfia constantemente de sua felicidade, não se sente segura com sua vida, mesmo após os rumos de sua jovem vida finalmente entrarem em um caminho mais feliz, podemos assim dizer.

Sabemos que a felicidade não é linear, mas quantas vezes sentimos, em momentos de alegria, ela escorrendo entre nossos dedos, muito antes de acontecer, se aconteceu? 
"(...) quando aquele a quem tal tranquilidade ininterrupta havida sido concedida na fase adulta era aquela cuja juventude parecida ensinar que a felicidade era apenas o episódio ocasional em um drama geral de dor."
Eu discordo dessa frase dita de forma tão fria e direta, e você pode concordar com ela, se seu modo de ver a vida seja mais baseada em um determinismo, ou no niilismo, talvez.

Mas eu sou um pouco Pollyanna, carreguei sempre comigo um otimismo meio descontrolado, que entra em cena em momentos de desventuras que ocorrem em minha vida, antes mesmo de eu dar tempo para pensar o que fazer a seguir. Meu otimismo exagerado me fez sempre torcer por vilões desde pequena, torcer para que o melhor também lhes ocorresse, e não foi diferente com o prefeito deste maravilhoso livro, que obviamente, deixarei aqui de recomendação.
Encantado com ♡ por Bia
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