junho 02, 2026

Quando tudo parecer difícil, tome uma xícara de chá

Os dias de outono tem carregado com eles um frio muito aconchegante e manhãs ensolaradas cor de laranja, e eu não poderia pedir por clima melhor na minha estação favorita, porém do jeito como as coisas tem se desenrolado em meus dias, eu admito que mal tenho tido tempo para observar o mundo lá fora, tenho na verdade estado muito reclusa, nos dias em que saio de casa sinto que a vida parece estar se movimentando novamente, e não ficado no estado de pausa e melancolia corriqueiros. 

Aconteceu de eu ter ficado bem doente de repente assim que maio iniciou, e estou assim até o momento, tenho sentido enxaquecas e enjoos todos os dias, sem descanso, foi difícil para mim ir ao médico devido a compromissos que tive um atrás do outro e agora me encontro tentando descobrir o que pode estar ocorrendo comigo, é angustiante que, apesar de estar me medicando, nada estar fazendo efeito, entretanto, estou tentando ser paciente, pois não tenho lá muito opção, e me revoltar nunca me adiantou de nada, rs. As coisas mais fáceis para eu comer tem sido pão e frutas, e tudo bem pra mim com isso, pois eu adoro os dois, ficar sem meu café puro estava sendo triste, então agora venho tomando com leite, pois eu simplesmente não acordo sem café, hahah.

Decidi compartilhar hoje apenas como tem estado as coisas do lado daqui, que apesar de tudo, tenho tentado me manter tranquila, tenho lido muito, assado muitos pães e bolos como de costume, e promovendo festas do chá com o Miguel mesmo, que é minha companhia favorita, óbvio.
Esta citação é de "Purgatório" do Dante Aliguieri, eu me vi favoritando esta leitura para a vida, desejando já ler novamente assim que terminei. É engraçado pois pensei que de A Divina Comédia, iria gostar mais de Paraíso, porém foi o que menos gostei, e na verdade, achei super entediante.
Isso foi em abril, quando meus sogros e minha cunhada vieram nos visitar, dentre todos os passeios incríveis que fizemos juntos, aproveitamos para visitar esse parque gigantesco que abriu em nossa cidade. Não tirei lá muitas fotos pois estava aproveitando com eles, mas fica aqui a lembrança dessa visita encantadora que fez meu abril não ser o mais cruel dos meses (piadinha interna de A Terra Devastada)

Passei a maior parte do tempo durante a estadia deles conversando e cozinhando com minha sogra e jogando The Sims 4 e papeando sobre animes com minha cunhada, que ainda é uma pré-adolescente muito fofa com apenas seus trezes anos, foi engraçado como me vi muito nela quando tinha a mesma idade, e perceber também como ela cresceu desde a última vez que a tinha visto. Fiquei triste quando eles se foram, desejava que ficassem por mais uns dias.

Bem, espero que junho seja mais gentil comigo (e com minha saúde!), e com você também, se as coisas por aí também estiverem sendo um pouquinho mais desafiadoras.

Nos vemos em breve!

maio 19, 2026

O Prefeito de Casterbridge

Quem acompanha este meu jardim faz um algum tempo, sabe que os livros do Thomas Hardy ocupam um espaço especial em meu coração, e nas estantes espalhadas pela minha casa. Apesar de os livros deste autor terem um toque nada sutil de drama, mortes repentinas e acontecimentos trágicos, eles ao mesmo tempo me trazem certo conforto, e são histórias bem construídas que perduram por anos. 

Ainda não me deparei com um final minimamente feliz se quer nos livros do Hardy, ou melhor, não havia me deparado até ler o livro dessa minha singela resenha despretensiosa, escrita em um momento de lapso de reflexão que fiquei, ao terminar a leitura de O Prefeito de Casterbridge. Mas já digo que o final é pouco feliz ou nem isso, dependendo do ponto de vista que você tem sobre a felicidade e a vida ao todo.
Não irei me prolongar contando o decorrer da história como em uma típica resenha, pois eu gostaria muito mais de me aprofundar no que aprendi com essa história, ou no que ela me deixou pensando.

Bem, temos aqui a história do Michael Henchard, um homem pobre e trabalhador rural, que no começo da narrativa está andando a esmo com a esposa Susan, e a bebê deles, Elizabeth-Jane (eu inclusive amei esse nome), quando então eles param em uma feira, e entram em uma tenda onde estava sendo servido mingau, aqui a senhora que preparava a grande bacia de mingau adicionaria rum ao prato se lhe fosse pedido, e foi o que o protagonista fez. 

E após algumas colheradas do mingau batizado, ele está bêbado o suficiente para começar a desprezar a sua vida e sua pobre esposa Susan, e neste momento ele passa um vexame por toda a embriaguez, começa uma brincadeira em que diz que venderia sua esposa e filha dependendo do lance dado, e resumidamente, a brincadeira vai longe demais e um marinheiro de fato as comprou pela pechincha de cinco guinéus. Esse momento impulsivo, e a brincadeira de mal gosto, deixaram consequências gigantescas para o resto da vida do Henchard.

Anos após esse infeliz acontecimento, arrependido, sóbrio e tentando se redimir com pouca coisa ou outra, pois apesar de tudo, o personagem ainda continua tendo um orgulho inabalável e um tendência auto destrutiva, Michael construiu uma boa reputação para si em Casterbridge, se tornando pouco tempo depois o prefeito da pequena cidade.
"Ele parecia sentir exatamente o que ela sentia sobre a vida e suas circunstâncias... que elas eram trágicas e não cômicas; que, embora alguém pudesse ficar alegre de vez em quando, os momentos de alegria eram interlúdios e não faziam parte do drama real."
Enfim, a partir disso, a história se desenrola com vários pontos de vista, e camadas recheadas de segredos a cada página virada (essa parte eu não esperava!), muitas coisas tomaram um rumo que eu não esperava, e outras eu já poderia imaginar por já ser acostumada com as tragédias do Hardy. Eu desgostava do Michael, e ao mesmo tempo, queria que ele tivesse sua redenção, mas no geral, ele é um pouco detestável, e seu caráter duvidosíssimo. 
"Ela não gostava de gentilezas em uma situação em que havia entrado apenas por causa da reputação de sua filha. Na realidade, ela gostava tão pouco delas que havia espaço para se perguntar por que havia tolerado a mentira e não tinha corajosamente deixado a jovem saber sua história. Mas a carne é fraca e a verdadeira explicação veio no devido tempo."
O livro traz em si várias lições e questionamentos relevantes sobre a felicidade, como por exemplo, o fato de você ter sofrido por grande parte de sua vida, faz você duvidar que os momentos de felicidade possam durar por muito tempo.
"E, ao ser obrigada a classificar-se entre os afortunados, não deixou de se maravilhar com a persistência do imprevisto (...)"
Esse trecho está no final, e ele menciona um sentimento da Elizabeth-Jane, que passou por desventuras grande parte de sua vida - que podemos acompanhar no decorrer da história -, até o momento, e que ela faz parte de um grupo de pessoas que poderiam ser classificadas como "privilegiadas", mas ela não sente-se dessa maneira. Ela desconfia constantemente de sua felicidade, não se sente segura com sua vida, mesmo após os rumos de sua jovem vida finalmente entrarem em um caminho mais feliz, podemos assim dizer.

Sabemos que a felicidade não é linear, mas quantas vezes sentimos, em momentos de alegria, ela escorrendo entre nossos dedos, muito antes de acontecer, se aconteceu? 
"(...) quando aquele a quem tal tranquilidade ininterrupta havida sido concedida na fase adulta era aquela cuja juventude parecida ensinar que a felicidade era apenas o episódio ocasional em um drama geral de dor."
Eu discordo dessa frase dita de forma tão fria e direta, e você pode concordar com ela, se seu modo de ver a vida seja mais baseada em um determinismo, ou no niilismo, talvez.

Mas eu sou um pouco Pollyanna, carreguei sempre comigo um otimismo meio descontrolado, que entra em cena em momentos de desventuras que ocorrem em minha vida, antes mesmo de eu dar tempo para pensar o que fazer a seguir. Meu otimismo exagerado me fez sempre torcer por vilões desde pequena, torcer para que o melhor também lhes ocorresse, e não foi diferente com o prefeito deste maravilhoso livro, que obviamente, deixarei aqui de recomendação.

abril 03, 2026

Manhãs de outono e tesouros perdidos

Pois é, desenterrei no cemitério dos layouts antigos este mesmo que vocês podem ver agora, quem já acompanha esse blog há pelo menos quatro anos talvez o reconheça. Aconteceu de eu enjoar completamente do que tinha colocado aqui, senti que ele era fofo demais talvez, cheio de "frufrus" demais, eu realmente o amei, mas cheguei a conclusão de que amei fazê-lo, agora usá-lo aqui talvez não tenha sido lá uma boa ideia. Eu adorei as cores e detalhes que ele possuía, mas devo lembrar e aceitar que eu adoro mesmo é as coisas simples da vida, tanto como um layout mais limpo visualmente, mais simples, que me lembre de uma boa época de minha vida, o começo dos meus vinte anos talvez, hahah.

Eu realmente estava incomodada demais com o outro, tal como quando comemos um doce muito enjoativo e precisamos beber litros de água logo após, foi gostoso saboreá-lo enquanto esteve aqui, mas claramente estava com dificuldade e falta de vontade de postar algo que fosse transmitido nele, sabe? Bem, é confuso, mas é basicamente o que tenho a dizer, e chega de falar sobre layouts, vamos falar sobre como tem sido o meu outono com cara de primavera?

Tenho acordado pela manhã, e como acordo bem cedo, consigo ver quando o sol está nascendo, acontece que esses dias, curiosamente desde a chegada do outono, cada dia vejo o céu pintado com um nascer do sol diferente, degradês com cores pastéis, e suas cores logo ficam mais quentes a medida que o sol sobe e finalmente acorda, as nuvens não são densas, elas são delicadas e se espalham lindamente no céu e por sobre as montanhas, consigo ver o mar infinito ao longe, o silêncio e uma brisa fria, eu não gosto muito de minha rua pelo fato de ela ficar um pouco no alto, e também por causa de qualquer chuva ou vento forte, causam uma falta de luz. É engraçado que nesse momento em que vejo um lindo nascer do sol, acabo por me sentir um pouco sortuda de morar nessa rua.

Se na primavera estava parecendo verão, o outono está parecendo uma primavera, claro que Rio sendo o estado tropical que ele é, sempre terá calor na maioria das vezes, porém desta vez está intercalando entre as semanas, as noites têm sido mais fresquinhas, o que é ótimo, e tem chovido de vez em quando, e parece que, de alguma forma, as flores e plantas do meu quintal ganharam certa vida, estou vivendo uma primavera que sempre quis, pois a primavera daqui é sempre um verão parte dois, nada agradável.

A medida que meu negócio de bolos e doces dá certo lucro, ao chegar no sábado, saio cedo pela manhã até a feirinha aqui do meu bairro - que é uma das maiores da cidade, inclusive - para comprar alguma fruta diferente e ir olhar a barraquinha de algum feirante vendendo velharias, ou tesouros perdidos, melhor dizendo.
Os bibelôs estavam bem sujinhos e empoeirados, mas nada que uma limpeza com pincel e álcool não resolvesse para tirar os cotocos de poeira e sujeira.

Essa senhorinha foi amor à primeira vista, consigo me ver facilmente nela daqui alguns bons anos.

Outra detalhe que amei nela foi que a gatinha em seu colo parece com a minha Suki.

Ela está nessa cadeira de balanço, que realmente balança. Eu sonho em ter uma cadeira de balanço faz anos, porém acho que a ideia de comprar uma caiu no esquecimento, pelo fato de a lista de coisas para comprar para minha casa estar sempre aumentando, mas adoro cadeiras de balanço, a casa de minha tia costumava ter duas, e adorava ficar me balançando nelas, mesmo depois de velha, rs.

Veremos o que me aguarda no próximo sábado, não planejo comprar mais tesouros como estes tão cedo, então talvez vá à feirinha apenas atrás de morangos fresquinhos, romãs e meu biscoito de polvilho favorito.

Recomendações de leitura e etc
Encantado com ♡ por Bia
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