O silêncio das manhãs é quase agridoce, acordo e o dia lá fora está claro, porém o sol ainda não fez totalmente sua subida, abro as cortinas, as janelas, e o vidro da porta da sala e uma brisa gelada acaricia meu rosto, penso logo que gostaria que o clima ficasse exatamente assim o dia inteiro, porém assim que o sol nasce por completo, um calor surge, e a luz do sol reflete em toda a sala. Vou para a cozinha deixar o café passando, e abro a janela para um dos gatos pular por ela, e poder ir para o quintal.
E assim se resume parte das minhas manhãs, elas se iniciam de forma agradável até que começo a pensar em demasia, com isso, nas últimas semanas tenho estado relapsa, deixo coisas caírem, salgo demais a comida, adoço de menos o bolo, choro em meio a pensamentos que me invadem, pensamentos que não perdoam que eu erre, e me castigam. Talvez o problema seja que eu empregue toda a minha gentileza nos outros, e não faça restar nenhuma para mim mesma.

Me recordo ou releio trechos de Jane Eyre quando preciso de conforto ou consolo.
À tarde, esses pensamentos se abrandam, eles vão se esvaindo à medida que ponho a chaleira no fogo para esquentar água para o chá, estou bebendo sem parar o "boa noite" da italianinho, ele tem gosto de abraços quentinhos, e me faz recordar de momentos alegres e simples de um passado já distante, e também me faz pensar no quão grata sou pela minha vida no momento, por mais que estejam várias questões fora do lugar e até mesmo perdidas, sei que sempre encontro um caminho que me leva de volta ou um caminho novo para o qual tomar.
Por isso me sento agora e escrevo isto, enquanto meu chá esfria ao meu lado, e o clima finalmente dá uma pequena virada, e apesar de o sol estar ausente nesta tarde, pois muito aprecio sua presença, me animo em saber que uma chuva se aproxima para deixar tudo mais aconchegante e fresco, talvez essa semana de tempestades que está por vir, seja um lembrete de que toda essa agitação e ardor interno que vem me agitando no momento, vá passar, será lavado, mesmo em meio a lágrimas, e meus dias serão inteiramente agridoces como as minhas manhãs.
Essa frase da gentileza ir toda para os outros e não sobrar nada para si.... essa frase me atravessou aqui de uma maneira. Tenho tentado ser mais gentil comigo mesma, que loucura pensar que isso as vezes é difícil.
ResponderExcluirPor mais manhãs gentis por aí <3
https://nyrtais.blogspot.com/
Seu post me lembrou o clima dos vlogs que gosto de assistir no YouTube. Para lidar com esses pensamentos não tão legais e ser mais gentil comigo mesma, faço as páginas matinais (propostas pela Julia Cameron, no livro O Caminho do Artista). Já tentou? Talvez seja uma boa saída!
ResponderExcluirUm beijo,
Fernanda Rodrigues | contato@algumasobservacoes.com
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