outubro 25, 2026

A primavera chegou

"A primavera está chegando?", perguntou ele. "Como ela é? Você não a vê nos quartos quando está doente."

"É o sol brilhando na chuva e a chuva caindo no sol, e as coisas brotando e trabalhando sob a terra", disse Mary. "Se o jardim fosse um segredo e pudéssemos entrar nele, poderíamos ver as coisas crescerem cada vez mais e ver quantas rosas estão vivas. Você não vê? Oh, você não vê como seria muito mais agradável se fosse um segredo?"

Ele se deixou cair de volta no travesseiro e ficou ali deitado com uma expressão estranha no rosto.

"Nunca tive um segredo", disse ele, "exceto aquele de não ter vivido o suficiente para crescer. Eles não sabem que eu sei disso, então é uma espécie de segredo. Mas eu gosto mais deste tipo.

— Capítulo 13 de "O Jardim Secreto", de Frances Hodgson Burnett (créditos pelo trecho)

Enquanto estive fora, muitas coisas aconteceram: eu me mudei de casa, descobri o vício que pode se tornar comprar roupinhas para bebê, li um calhamaço que fez meus dedos ficarem doloridos por quase um mês, pois nada de muito interessante - a não ser a chegada do pequeno elfo, claro -, tem ocorrido em minha vida, então viajar para outro universo, em outro século, fez com que o peso de uma rotina meio tediosa e parada me afundasse em um grande desânimo.

A leitura me tocou de tal forma, que ainda me sinto apegada aqueles personagens, aquela casa na praia na Cornualha, onde se passa a maior parte da história, e por alguns dias, tudo pareceu voltar a simplicidade que se era, a que sinto falta, pois tudo agora parece complexo e demorado demais para ser resolvido, e não que no livro não fosse, pois nele se passou cinco anos até a volta da protagonista para sua casa após a guerra, e para reencontrar o rapaz que amava, e dez anos para que sua vida voltasse a "normalidade". Mas acredito que minha vida esteja sendo justamente assim, esse livro ainda sendo escrito, com muitas e muitas páginas, e não tenho o poder de lê-lo mais rapidamente para ver o que acontece no futuro, não posso avançar uma semana ou um mês inteiro em algumas horas, devo esperar pacientemente e com uma dose de otimismo de que as coisas irão voltar aos eixos.

Com a chegada da primavera, que não poderia ser mais primaveril do que está sendo, e digo isso pois não vejo grande diferença de primaveras passadas, cada dia que passa é um grande mistério se choverá para que o sol abra lá fora por alguns instantes, ou se fará um calor danado e um dia inteiro de sol, e parecerá uma amostra grátis do verão carioca. É o dia mudando de uma hora para outra abruptamente, sem motivo aparente, sem aviso prévio, é abelhas zumbindo alegremente pelo quintal, é a minha roseira de rosas rosa dando mais rosas, e tudo está mais colorido lá fora, mesmo em um dia mais nublado.

Enquanto muitos falam do outono, eu lembro que nós aqui estamos na primavera, o outono já passou faz tempo, e fico me sentindo solitária por parecer ser somente eu a aproveitá-lo enquanto ainda estava aqui.

Enfim, para o dia de hoje, que está bastante chuvoso, o que é inoportuno demais pois em alguns domingos costumo almoçar na casa de minha mãe, eu pretendo cortar meus cabelos na altura de sempre, que é abaixo da orelha, fazer as unhas, e cortar também uma renda, e costurá-la para se tornar uma cortina na cozinha, tudo isso antes do horário do almoço, e já são quase nove horas.

Antes de me despedir, gostaria de agradecer à todos os leitores deste jardim pelos comentários encantadores na última postagem sobre o pequeno elfo, obrigada! ♡

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- C.S. Lewis

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